


O cinema de Kleber Mendonça Filho ocupa hoje um lugar singular na cinematografia contemporânea. Sua obra articula, com rara precisão, forma e política, memória e espaço, experiência sensorial e crítica social. Longe de se apoiar em alegorias simplificadoras, seus filmes investigam as tensões invisíveis que estruturam a vida brasileira: os regimes de violência, as heranças coloniais, as disputas pelo território, as marcas do tempo sobre as cidades e os corpos.
Este curso propõe uma travessia aprofundada por esse universo estético, tomando cada filme como um organismo vivo, mas sempre compreendido dentro de uma constelação maior que revela a coerência e a evolução de seu projeto artístico. Ao longo de quatro aulas, vamos analisar os principais aspectos estéticos, narrativos, formais e temáticos de sua filmografia, usando um filme por aula como guia, mas sempre o colocando em diálogo com o restante de sua obra.
Aula 1 - O espaço como campo de conflito: O Som ao Redor
Partindo de O Som ao Redor, examinaremos como o diretor trabalha o espaço urbano como dramaturgia do poder. O bairro torna-se um microcosmo histórico onde passado e presente coexistem sob a forma de espectros sociais: a escravização, o patriarcado, a lógica da propriedade privada.
Serão discutidos:
O desenho sonoro como produtor de paranoia e expectativa;
A encenação da vigilância e do medo cotidiano;
Narrativa Coral;
A arquitetura como forma narrativa;
A construção de uma violência difusa, quase sempre no fora de campo.
A aula também mostrará como esse filme inaugura temas que atravessam toda a filmografia: o cerco, a ameaça latente e a ideia de que a normalidade é apenas uma superfície frágil.
Aula 2 - Gênero, Subversão e Política - Bacurau
Em Bacurau, realizado com Juliano Dornelles, veremos como o cinema de gênero pode ser reinventado como ferramenta crítica. Misturando western, ficção científica e horror, o filme constrói uma fábula política que reflete sobre colonialismo, soberania e apagamento.
Entre os eixos centrais:
A violência como gesto de resistência;
A comunidade como personagem;
A inversão do olhar colonial;
O Nordestern;
A dimensão mítica do sertão.
Aula 3 — Cinema, memória e fantasmagoria: Retratos Fantasmas
Retratos Fantasmas nos permite acessar a dimensão mais ensaística do diretor. Aqui, o cinema torna-se ao mesmo tempo tema e método, um dispositivo para pensar a passagem do tempo e a transformação das cidades.
Discutiremos:
O gesto arqueológico de filmar ruínas;
A relação entre memória pessoal e história coletiva;
O cinema como experiência espacial;
a nostalgia como forma crítica de olhar.
Aula 4 — Segredo e estruturas de poder: O Agente Secreto
Tomando O Agente Secreto como ponto de chegada, investigaremos o amadurecimento de uma linguagem cada vez mais rigorosa. O filme radicaliza um traço constante do diretor: a sensação de que há sempre forças invisíveis organizando o mundo.
Serão abordados:
A opacidade narrativa como estratégia estética;
A Montagem de Continuidade e os Raccords em KMF;
Uma Fenomenologia da Carne;
A atmosfera como estrutura dramática.
Mais do que analisar filmes isolados, o curso propõe compreender a arquitetura de um pensamento cinematográfico, um projeto estético em que cada obra ecoa nas demais, formando um sistema rigoroso de temas, formas e obsessões. Ao longo das aulas, vamos analisar cenas em detalhes não só destes quatro filmes, mas de toda sua filmografia, dos curtas aos longas, para assim termos um acesso mais completo ao universo cinematográfico de Kleber Mendonça Filho.
E aí, vamos nessa?
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Os Principais Filmes da Edição

O Som ao Redor (2012)

Bacurau (2019)

Retratos Fantasmas (2023)

O Agente Secreto (2025)

Cronograma
Terças ou Quintas às 19h
24/03
Aula 1 - O Som ao Redor
31/03
Aula 2 - Bacurau
14/04
Aula 3 - Retratos Fantasmas
21/04
Aula 4 - O Agente Secreto
Professor
João Marcos Albuquerque
Cineasta Independente, Crítico e Professor de Cinema, criador do Filmes Cuti. João Albuquerque é o diretor do filme "Somos Nossos Mortos. E as Árvores?", cuja estreia mundial ocorreu no Slow Film Festival 2025 - um dos festivais internacionais mais relevantes dedicados ao Slow Cinema. Mestre em Filosofia pela UFRJ, Júri do Festival Lumen 2025, autor de críticas, ensaios e artigos publicados em mídias como Outras Palavras, Midia Ninja e Cine Ninja, além de produzir todo conteúdo do Filmes Cuti. Professor do CineCuti, com mais de mil alunos inscritos em seus cursos e mais de 250 horas de aulas ministradas e gravadas sobre história, teoria e linguagem do cinema.

Investimento
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Próximas Edições

24ª Edição:
Cinemas Africanos e Descolonização
Início - 05/05/2026

25ª Edição:
O Cinema de
Abbas Kiarostami
Início - 02/06/2026


