Violated Angels (1967) - Crítica
- João Marcos Albuquerque

- 10 de jul.
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Um filme profundamente materialista. Tão materialista que parte decisiva de sua força expressiva nasce das próprias condições materiais da imagem: do CinemaScope, das lentes anamórficas e da maneira como Wakamatsu explora suas propriedades ópticas.
É o formato cinemascope, a partir dos enquadramentos que ela potencializa, que isola e agrupa os corpos de forma a destacar a sua materialidade e a materialidade do espaço, e a relação dos corpos com o espaço.
É o formato cinemascope que permite ao cineasta perfilar os corpos das vítimas numa composição frontal e horizontal, cuja largura vulnerabiliza ainda mais essas mulheres, tornando as composições ainda mais chocantes.
As lentes anamórficas, exploradas por Wakamatsu sobretudo nos movimentos de câmera, deformam as bordas do quadro, contorcendo corpos e arquitetura, contorcendo o mundo - aqui Wakamatsu faz um uso brilhante das lentes, é a própria condição ótica do material sendo usada como elemento expressivo - materialismo cinematográfico: as características do dispositivo são exploradas como matéria plástica da imagem, cujo espectador assimila como expressividade.
Wakamatsu consegue criar imagens chocantes porque soube, acima de tudo, usar como poucos as possibilidades do CinemaScope.




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