A Simple Event (1973) - Crítica
- João Marcos Albuquerque

- 1 de ago.
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Atualizado: há 2 dias
O minimalismo formal é indissociável da miséria vivida pelos personagens, assim como pelas condições paupérrimas de produção do filme (recursos escassos, filmado clandestinamente).
Os cortes secos, as atuações desdramatizadas, o laconismo de toda mise en scène, um certo desejo de anulação do belo e do sentimental, a repetição extenuante, uma estrutura opaca e monótona, o rigor da montagem, as corridas sem fim, o espaço rudimentar que apenas dilata o tempo onde nada acontece em termos dramáticos (os cortes são motivados pela profundidade de campo - o menino correndo de um ponto distante da câmera até outro mais próximo da câmera, corta), a movimentação letárgica da câmera que se desloca apenas em seu eixo para acompanhar o movimento sísifico da criança, em suma, a forma expressa o quão bruta, rigorosa, desprovida, rudimentar, lacônica, extenuante e mínima (no sentido de potência) são aquelas vidas.
O minimalismo no cinema moderno, a depuração e decantação formal, esteve sempre ligada a uma ideia de sofisticação, o tal do "menos é mais". Aqui, o menos é, simplesmente, menos.




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