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Sonatine (1993) - Crítica

  • Foto do escritor: João Marcos Albuquerque
    João Marcos Albuquerque
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Li alguns comentários sobre A Odisseia, do Nolan, que criticam a montagem. Eu ainda não assisti ao filme, ele simplesmente não me interessa. Mas as críticas sobre a montagem do filme me interessam.

 

Uma parte das críticas era direcionada a curta duração dos planos: a cada piscada de olho, um novo corte. Além de não dar tempo suficiente para o plano respirar (consequentemente, asfixiando o espectador) e para a imagem se constituir como composição mental, isso acaba por gerar uma montagem demasiadamente fragmentada, que confunde e desorienta o espectador, diziam os comentários.

 

O que eu posso colaborar quanto a isso é: não acredito que a melhor forma de abordar o problema seja evidenciando a fragmentação proporcionada pela montagem, nem a velocidade dos cortes. Como sabemos, muitos cineastas construíram seus filmes sobre estes pilares erigidos pela montagem: Godard, Bresson, Oshima, Eisenstein, os primeiros Buñuel etc. O problema, na verdade, pode ser bem mais simples: talvez o Nolan só não sabe cortar, não sabe montar, porque ele não pensa como um montador.

 

Saber montar é saber cortar no momento exato, no ponto culminante; é saber fazer uma elipse; é saber construir ritmo e rima pelo corte, é saber encaixar e acoplar os planos, ou até mesmo criar uma ruptura total, uma lacuna intransponivel, entre os planos: é saber construir um senso de continuidade ou descontinuidade que no fundo delimita o fluxo subterrâneo de toda obra; é saber manipular as valências plásticas do corte. Mas para saber montar, para saber cortar, é preciso primeiro pensar como um montador.

 

Quando o diretor pensa como um montador, ele pensa no enquadramento, ele pensa no ritmo, ele pensa na composição do plano, e, em muitos casos, como em Sonatine, ele pensa no uso do fora de campo - enfim, ele pensa nisso tudo sob o prisma da montagem.

 

Em Sonatine, eu gargalhei induzido pela montagem. A cena do tiroteio no bar é exemplar. A cena é construída a partir de uma surpresa - um tiro inesperado, que sai do fora de campo e atinge o personagem que está enquadrado. As escolhas de composição dos próximos planos são também inusitadas, assim como toda a atuação inexpressiva, mas o que nos faz ir de um plano a outro, estabelecendo uma relação entre os planos e moldando assim nosso pensamento sobre a cena, é a montagem. Portanto, a cena é construída de forma fragmentada, com pedaços de informação distribuídos entre os planos, que a montagem vai, através da precisão dos cortes, coletando e nos presenteando.

 

Sonatine me parece, por isso, um filme Bressoniano. Provavelmente, irei usar Sonatine em meu próximo curso, sobre o cinema de Bresson e seus Herdeiros Contemporâneos.

 
 
 

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