Kikujiro (1999) - Considerações

Alguns dos primeiros filmes de Kitano (até Dolls) me colocam num estado de espírito muito particular, algo entre a alegria e a tristeza, alimentando-se da energia de ambas. Talvez isso seja melancolia, não sei. Talvez seja o kitanesco - essa capacidade de produzir um estado afetivo em que alegria e tristeza não se alternam, mas coexistem. É comum eu ficar assim depois de assistir àqueles que considero seus melhores filmes. Sei que esse estado de espírito não é exclusividade da experiência kitanesca. Já senti isso — ou algo semelhante, afinal, como determinar? — diante de outras obras. O que me intriga é a constância com que o cinema de Kitano consegue me levar até esse lugar.
São filmes tristes e belos, o que não é tão incomum assim, pelo contrário. Existe uma relação íntima entre a tristeza e a beleza, relação que não parece existir entre a alegria e a feiúra. A arte dos primeiros filmes de Kitano é a arte dessa intimidade, sendo Sonatine e Kikujiro meus prediletos, pois os mais eficientes em fazer eu chorar de rir e rir chorando.




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