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Não Existem Regras no Cinema

  • Foto do escritor: João Marcos Albuquerque
    João Marcos Albuquerque
  • 14 de ago.
  • 2 min de leitura

O cinema não tem regras, no sentido de verdades absolutas. O que ele tem são convenções: padrões que, ao longo do tempo, foram se consolidando como modos dominantes de construir imagens, narrativas, tempos e espaços. Até mesmo o que chamamos de “regras” no cinema, como por exemplo a “regra dos 180º”, são convenções.


As convenções do cinema clássico, estabelecidas por Hollywood durante seus anos áureos, foram fruto de decisões pragmáticas. Os grandes estúdios buscaram padronizar a produção cinematográfica com base na experiência: repetindo o que já havia dado certo em termos de otimização dos resultados artísticos e maximização dos lucros. Assim, se consolidou um modo de fazer cinema que priorizava a montagem de continuidade, a causalidade narrativa, a centralidade espacial, personagens com objetivos bem definidos etc.


Essas convenções são, ainda hoje, a linguagem dominante do cinema industrial. Mas elas não são verdades absolutas: são apenas uma forma de fazer cinema. O cinema moderno (pense na Nouvelle Vague, ou no Cinema Novo, por exemplo) provaram isso ao romper com essas formas estabelecidas, usando: montagem de descontinuidade, dilatação temporal, desestabilização do espaço, negação da linearidade dramática etc.


Não se trata de recusar as convenções por princípio, mas de compreendê-las criticamente. Conhecer a linguagem dominante é fundamental: seja para criar um filme ‘bem feito’ segundo esses padrões, seja para desconstruí-los e propor novas formas. E esse conhecimento não serve apenas a quem faz cinema: ele também amplia o olhar de quem o assiste. Ao entender as convenções, o espectador ganha instrumentos para perceber nuances, reconhecer escolhas criativas e expandir sua relação com o cinema. 


Se você é um (aspirante a) cineasta, estudioso ou apenas apaixonado por Cinema, recomendo estudar linguagem, teoria e história do cinema. Esses são os pilares do pensamento cinematográfico, e a base de todos os meus cursos. Para quem quer começar os estudos de forma mais aprofundada, uma excelente porta de entrada é o livro “A Arte do Cinema: Uma Introdução”, de David Bordwell e Kristin Thompson.


No cinema, tudo é possível. O importante é estar consciente das escolhas. Para quem realiza um filme, essa consciência orienta e liberta o gesto criativo; para quem assiste ou estuda, ela abre caminhos para ver mais fundo, reconhecer camadas, dialogar com a obra. Em ambos os casos, é essa atenção que transforma a experiência do cinema em algo mais rico e revelador.

 
 
 

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© Filmes Cuti 2022 - Criado por João Marcos Albuquerque

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